terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Ilha de Tinos, Grécia, pelo olhar da minha filha.
Momentos que não mais se esquecem ...



Quanto ao campeonato nacional de futebol, este fim-de-semana não trouxe grandes surpresas:

O Sporting esteve ao seu melhor nível, perdendo em casa por 2-3 contra o Braga, o Benfica foi, como habitualmente, roubado no Dragão, e o Futebol Clube do Porto continua a ser carregado ao colo em direcção ao título.

De registar mesmo, só a reacção de Yebda que atónito, nem queria acreditar que o árbitro (que aliás estava a 3 metros dos jogadores) tinha mesmo marcado penalty naquela jogada. E atónito ele continuou pela flash interview adentro ...

Ficou evidente que a sua reacção só se deveu ao facto de ainda ninguém lhe ter explicado claramente:

“Yebda, meu, isto não é a França … bienvenue au Tugolândia”
Ainda a propósito de excessos de testosterona, a semana ficou ainda marcada por outro momento igualmente significativo: Na convenção do Bloco de Esquerda, e levado pelo entusiasmo que as luzes da ribalta lhe conferem, Francisco Louçã resolveu entrar a eito pelo delicado caminho da metáfora e vai de comparar o efeito expectável de obter como resultado do encontro entre dois coelhinhos no seu buraco, versus duas notas de euro igualmente aconchegadas no seu cantinho…

Confesso que fiquei surpreendido que alguém, com a autoridade académica que a Cátedra de Economia confere, misturasse tão ostensiva e demagogicamente os conceitos de produção e reprodução…

Por outro lado, esta expectativa de assistir a um show erótico entre duas notas de euro não lembra nem ao capitalista mais empedernido … e ainda bem que assim é, porque senão imagine-se o furacão que seria na Caixa forte do Tio Patinhas cada vez que as luzes se apagassem …
Ontem foi exibido na SIC o segundo e último episódio sobre a vida privada de Salazar.

A série limitou-se a mostrar um governante que, (na perspectiva de quem escreveu e realizou o programa), tinha como característica mais marcante o registo de elevadas e anormais taxas de testosterona …

Como se previa, a série foi salva pela sempre refrescante presença de Soraia Chaves.

O segundo episódio terminou com um grande plano pretensamente poético (mas altamente estranho!) das suas botas enterradas na areia, e com o mar por fundo … seja lá o que isto quer dizer …

E assim se desperdiçou mais uma oportunidade de fazer um documento sério sobre um período que marcou todo o Sec. XX português.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Foi com muita curiosidade que ontem sintonizei a SIC para assistir ao primeiro de dois episódios que a referida estação produziu e tem a vindo a anunciar diariamente, sobre a vida íntima de Salazar.

Pessoalmente considero que nada justifica a existência de tabus sobre personagens ou factos que, goste-se ou não, fizeram parte integrante da nossa história, e tais análises, quando devidamente fundamentadas, até nos ajudam a compreender um pouco melhor o povo que somos.

Mas confesso que no final fiquei um tanto confundido e decepcionado com o episódio, pois parece-me que uma vez mais se misturou a realidade com a ficção, e o resultado na verdade ficou bem aquém do que se podia esperar.

Reduzir a dimensão da vida privada do velho ditador (com as suas qualidades e defeitos) a uma espécie de versão manhosa de Zézé Camarinha do Vimieiro não lembrava a ninguém!

Resta-nos aguardar o segundo episódio a ser exibido hoje, para ver até que ponto é que a imaginação dos argumentistas vai chegar … Mas não desesperemos: Se a coisa começar a ficar completamente tonta (poderão por exemplo chegar á conclusão que Salazar era na realidade um E.T.), sempre podemos desligar o som e ver só as imagens … o episódio de hoje vai contar com a participação de Soraia Chaves (um descanso para a vista e um conforto para a alma) …
Resultados do Barclays superam estimativas
O Barclays apresentou hoje resultados que ficaram acima das estimativas dos analistas, com os lucros a descerem apenas 1% no ano passado. As acções do banco britânico sobem mais de 9% em reacção aos números, que confirmam que o banco está longe de precisar de ser nacionalizado.

O Reino Unido regista primeiro aumento dos preços das casas em quatro meses
Os preços das habitações britânica aumentaram em Fevereiro, a primeira subida dos últimos quatro meses, depois de duas descidas das taxas de juro por parte do Banco de Inglaterra terem encorajado os vendedores a pedirem mais pelas suas casas.

Bank of America dispara mais de 30% depois de rejeitar nacionalização
Os títulos do Bank of America dispararam mais de 30% depois dos responsáveis do banco terem rejeitado a nacionalização e de terem referido que a instituição não necessita de mais capital do governo.

----------------------------------------------------------------------------------

A actual crise lembra-me por vezes, uma noite de verão no meio do campo: Não se vê nada durante um tempo. Mas de repente, aqui e acolá pequenas luzes vão surgindo e aos poucos, onde antes apenas existia escuridao, esta passa de repente a estar polvilhada de pequenos pontos luminosos.

A minha costela optimista gosta de pensar que noticias como as que encimam este post funcionam como os pirilampos, na noite que estamos a viver.

Aparte a metáfora, resta saber se serão suficientes para iluminar o caminho que falta até ser dia …
A pequenez de espírito característico de um certo modo de estar português é algo que sempre me impressionou. Quando lemos os jornais portugueses deste mês de Fevereiro, o tema do dia é agora (para além do já habitual e recorrente – embora aparentemente cada vez mais esvaziado de conteúdo - caso Freeport) dedicado aos malandros dos bancos que não emprestam dinheiro suficiente aos particulares e ás empresas.

Quem não tenha a memória curta (mas mesmo muito, muito curta …) deve estar recordado de que até aproximadamente finais de Novembro passado (o Natal veio introduzir novas prioridades á agenda de cada um), o tema recorrente á data, era então sobre os entao igualmente malandros dos bancos que tinham emprestado dinheiro a mais aos portugueses que assim se endividaram muito acima das suas possibilidades e por isso não podiam pagar as dívidas aos bancos que por isso eram também os culpados, e por isso deviam ficar com os calotes em carteira e aceitar isso naturalmente como parte do seu negócio …

Talvez seja de explicar alguns aspectos (mesmo muito) básicos sobre o negócio bancário, nomeadamente que:

1. O dinheiro que o Bancos emprestam não é dos Bancos, é dos depositantes;
2. Os Bancos tem de seguir regras prudênciais na forma como concedem o crédito, pois se não o fizerem estão a colocar em risco os seus próprios depositantes, ou seja, aqueles que neles confiam as suas poupanças;
3. O principal negócio do Banco é o crédito; é na diferença entre os depósitos e o crédito, que ganham dinheiro;


Quando os bancos recusam uma operação de crédito, sabem que estão a perder uma oportunidade de negócio que pode não voltar a repetir-se; Por isso não o fazem de ânimo leve, apenas para aborrecer quem solicita o financiamento; Fazem-no quando tem reais dúvidas sobre o seu retorno.