quarta-feira, 18 de março de 2009

Em Atenas as coisas andam meio estranhas...

Aqui fica um artigo publicado na edição electrónica em lingua inglesa do diário "Kathimerini" sobre a situação de insegurança que se vive actualmente.

The contagion of chaos

Perhaps the most alarming piece of news in recent months – which was already frightening enough – was a report in last Sunday’s Kathimerini that the police have decided to reassemble their intelligence-gathering capabilities in a bid to cope with the resurgence of domestic terrorism. “It is impossible for us to devote the resources needed to protect every possible target,” said a high-ranking source, speaking on condition of anonymity. “Therefore, we have to concentrate our efforts on trying to collect information.” This begs the question: If police were not trying to infiltrate the nascent terrorist groups, what on earth were they doing? How can they now present the basics of police work as a strategic decision? The report provided the answer: The department responsible for collecting information on terrorism suspects was dismantled after the Athens 2004 Olympics, when an unprecedented security blanket had been cast over Greece, with the cooperation of foreign intelligence and security services and with the most sophisticated – and expensive – technology. After 2004, however, the government appeared to take its eye off the ball of public security, either through complacency or incompetence – or fear of being accused of authoritarianism. With the November 17 gang behind bars and the Olympics over, Greece let its guard down. The bad omens, however, were quick to appear. On October 24, Revolutionary Struggle, a group that appeared a year before the Olympics in the wake of November 17’s capture, launched a bomb attack on police buses. Several attacks followed, including an anti-tank missile being shot into the US Embassy. Last Wednesday, the same group claimed that it had planted a bomb at Citibank’s offices and at a branch of the same bank. If the first bomb (60 kilograms of ammonium nitrate) had gone off, it would have brought down the whole building and ushered in a new era of blind mass terrorism, as opposed to the largely symbolic attacks of the past. All this time, no one appeared to take anti-terrorism operations and general police work with the necessary seriousness. This created a climate of impunity for criminals and insecurity for citizens. A policeman’s fatal shooting of a teenager in December set off riots in which the police force appeared either indifferent or impotent, thereby encouraging all forms of lawlessness: Police became a target and an excuse for further criminality. The result has been an increase in domestic terrorism, violent protests that sometimes verge on terrorism (such as setting fire to a train), a rise in violent crime (including gangland killings and kidnappings) and the brutal assault on a woman labor organizer. Sports hooliganism, too, has been spinning out of control, adding to the sense of insecurity across society. When things begin to go awry it is very difficult to set them right, especially after a long period of neglect. With civil disobedience becoming entrenched as part of political protest, any vigorous police action is likely to lead to clashes and a further radicalization of youth and political groups. Despair over the worsening economy will lead to more tension on the streets, making police officers’ work even more difficult. As a remedy, the government is talking about the need to consolidate police stations, reducing the number of precincts from about 1,000 to 400, thereby reducing administration and sentry demands in a bid to free more officers to do real police work. This, however, will have no effect if the police do not quickly take effective action against organized crime – which includes domestic terrorism and underworld gangs – while at the same time intensifying neighborhood foot patrols. Crime spreads like a virus. And the government has allowed pockets of chaos to spread for far too long. Now it must curb crime without jeopardizing the nation’s hard-earned civil liberties. But only victory against crime can guarantee those liberties.

segunda-feira, 16 de março de 2009

O Rapaz do Pijama ás riscas


Este foi sem dúvida um dos filmes mais tocantes que vi nos últimos anos sobre o tema do Holocausto.

Baseado num conto de 2006 do escritor irlandês John Boyne, “The Boy in the Striped Pyjamas” (2008) é uma co-produção Britânico-Americana realizada por Mark Herman que aborda o Holocausto sob o ponto de vista de uma criança alemã de 8 anos que devido ao trabalho do seu pai, militar, vai viver para o campo para perto de uma “quinta”, que na realidade é o campo de extermínio de Auschwitz.

É um filme profundamente comovente e triste que nos faz observar todo o drama que atravessa a narrativa, sob o olhar ingénuo de uma criança. Para quem como eu, tem filhos da idade dos protagonistas o filme torna-se duplamente triste, quando pensamos no que sofreram as crianças desse tempo, mas também no que tantas continuam a sofrer ainda hoje, e por vezes aqui tão perto, muitas das vezes apenas por questões de raça, credo ou etnia.

Trata-se de um filme que, não obstante a sua crueza se recomenda também a que quem tenha filhos adolescentes o veja e o discuta com eles, para os ajudar a compreender a irracionalidade e o horror a que todos os fanatismos fatalmente conduzem.

Um filme que é um murro no estômago. Obrigatório.

sábado, 14 de março de 2009


Ainda a propósito de animais, eu sei que esta já é velha... no entanto acho-a fantástica.

É alias por estas e por outras que eu prefiro os cães...


Como dar um comprimido a um gato:

1. Pegue no gatinho e aninhe-o no seu braço esquerdo como se segurasse um bebé. Coloque o indicador e o polegar da mão direita nos dois lados da boquinha do bichano e aplique uma suave pressão nas bochechas enquanto segura o comprimido na palma da mão. Quando o amorzinho abrir a boca atire o comprimido lá para dentro. Deixe-o fechar a boquita e engolir.

2. Recupere o comprimido do chão e o gato de detrás do sofá. Aninhe o gato no braço esquerdo e repita o processo.

3. Vá buscar o gato ao quarto e deite fora o comprimido meio desfeito.

4. Retire um novo comprimido da embalagem, aninhe o gato no seu braço enquanto lhe segura firmemente as patas traseiras com a mão esquerda. Obrigue o gato a abrir as mandíbulas e empurre o comprimido com o indicador direito até ao fundo da boca. Mantenha a boca do gato fechada enquanto conta até dez.

5. Recupere o comprimido de dentro do aquário e o gato de cima do guarda-fatos. Chame a sua esposa do jardim.

6. Ajoelhe-se no chão com o gato firmemente preso entre os joelhos, segure as patas da frente e de trás. Ignore os rosnados baixos emitidos pelo gato. Peça à sua esposa que segure firmemente a cabeça do gato com uma mão enquanto força a ponta de uma régua para dentro da boca do gato com a outra. Deixe cair o comprimindo ao longo da régua e esfregue vigorosamente o pescoço do gato.

7. Vá buscar o gato ao suporte do cortinado e retire outro comprimido da embalagem. Tome nota para comprar outra régua e reparar as cortinas. Cuidadosamente varra os cacos das estatuetas e dos vasos do meio da terra e guarde-os para colar mais tarde.

8. Enrole o gato numa toalha grande e peça à sua esposa para se deitar por cima de forma a que apenas a cabeça do gato apareça por debaixo do sovaco. Coloque o comprimido na ponta de uma palhinha de beber, obrigue o gato a abrir a boca e mantenha-a aberta com um lápis. Assopre o comprimido da palhinha para dentro da boca do gato.

9. Leia a literatura inclusa na embalagem para verificar se o comprimido faz mal a humanos, beba uma cerveja para retirar o gosto da boca. Faça um curativo no antebraço da sua esposa e remova as manchas de sangue da carpete com o auxilio de água fria e sabão.

10. Retire o gato do barracão do vizinho. Vá buscar outro comprimido. Abra outra cerveja. Coloque o gato dentro do armário e feche a porta até ao pescoço de forma a que apenas a cabeça fique de fora. Force a abertura da boca do gato com uma colher de sobremesa. Utilize um elástico como fisga para atirar o comprimido pela garganta do gato abaixo.

11. Vá buscar uma chave de fendas à garagem e coloque a porta do armário de novo nos eixos. Beba a cerveja. Vá buscar uma garrafa de whisky.Encha um copo e beba. Aplique uma compressa fria na bochecha e verifique a data de quando apanhou a última vacina contra o tétano. Aplique compressas de whisky na bochecha para desinfectar.Beba mais um copo. Atire a T-Shirt fora e vá buscar uma nova ao quarto.

12. Telefone aos bombeiros para virem retirar o cabrão do gato de cima da árvore do outro lado da rua. Peça desculpa ao vizinho que se estampou contra a vedação enquanto tentava desviar-se do gato em fuga. Retire o último comprimido de dentro da embalagem.

13. Amarre as patas da frente às patas de trás do filho da puta do gato, com a mangueira do jardim e de seguida prenda firmemente à perna da mesa da sala de jantar. Vá buscar as luvas de couro para trabalhos à garagem. Empurre o comprimido para dentro da boca da besta seguido de um grande pedaço de carne. Seja suficientemente bruto, segure a cabeça do corno na vertical e despeje-lhe um litro de água pela goela abaixo para que o comprimido desça.

14. Beba o restante whisky. Peça à sua esposa que o conduza às emergências e sente-se muito quieto enquanto o médico lhe cose os dedos, o antebraço e lhe remove os restos do comprimido de dentro do seu olho direito. A caminho de casa contacte a loja das mobílias para encomendar uma nova mesa de jantar.

15. Trate de tudo para que a protectora dos animais venha buscar o cabrão do gato mutante fugido do inferno. Telefone para a loja dos animais e pergunte se têm tartaruguinhas.

Tubarão (de 7 m) capturado em Vouliagmeni, Atenas, na Grécia a 11.03.2009

Segundo parece, o bichinho até só comia plancton... mas como diz o meu amigo Luis Pedro,
" Inofensivo, mas deve assustar estar na aguinha a nadar, olhar para o lado e dar com um peixinho destes…"

Está explicado...

O Estádio do Bayern…

... Alemães batoteiros !!!

quarta-feira, 11 de março de 2009

... Aqueles 12-1 (isto se esquecermos os 5 do Barcelona ...) devem ter doído mesmo ...
Na passada segunda-feira teve lugar na RTP mais um debate sobre a actual crise económica (o 1327º programa desta semana sobre o mesmo tema …).

Desta vez o fórum escolhido foi o “Prós e Contras”, moderado (moderado é uma forma de expressão) por Fátima Campos Ferreira, essa personagem única do panorama televisivo actual, que consegue aliar o pretensiosismo e a falta de isenção de Mário Crespo (esse outro ícone da “excelência” televisiva), com o estilo artificial, bacoco e feirante de Artur Albarran…

Mas voltando ao tema, na minha opinião, o que faz o momento que estamos a viver parecer ainda pior do que possivelmente já é, assenta no facto de estarmos apenas e sistematicamente a falar da crise, das causas da crise, do que vamos sofrer com as consequências da crise, agora e no futuro, e todos os palpites e exercícios de futurologia que actualmente qualquer um dá sobre o tema, e que em nada contribui (antes pelo contrário) para que se vença este desafio.

Tenho para mim que muitas das vezes a dimensão que as situações tomam é aquela que lhes damos e não aquela que elas realmente têm. Isto aplica-se a (quase) tudo na nossa vida, e a actual situação não é diferente. É evidente que com isto não pretendo colocar em causa a importância e a seriedade dos desafios que o mundo atravessa neste momento. No entanto, se ouvirmos o que se diz e escreve por ai todos os dias, a sensação que fica é a de que neste momento estamos praticamente á beira do colapso final económico, financeiro, moral, social, etc. Basta abrirmos um jornal, uma estação de rádio ou tv, ou um site da Internet para sermos imediatamente bombardeados com previsões catastróficas que qualquer personagem, que pretenda ter alguns segundo de fama, produz sob a forma de soundbites imediatamente ampliados pela comunicação social.

Isto leva-nos, em primeiro lugar, a questionar qual deverá ser o papel da Comunicação Social nos momentos de crise: Se o de bombeiro, se o de pirómano. Pessoalmente não tenho dúvidas de que a maioria dos media assumiu a segunda opção, e dai a forma irresponsável e pouco informada como uma boa parte dos órgãos de informação tem abordado estas questões, o que tem contribuído fortemente para a geração de um sentimento de depressão social que paulatinamente se tem vindo a instalar na sociedade. (Não é por acaso que o “Velho do Restelo” surge na literatura portuguesa como uma personagem incontornável… )

Não defendo que o caminho a seguir seja o de fazer como a avestruz, e metendo a cabeça na areia esperar que a tempestade passe. Mas também não me parece que seja a melhor terapia estar sistematicamente a gritar que o fim está próximo. Porque não está.

O que se passa é que crises económicas sempre existirão (com maior ou menor impacto), e serão seguidas por períodos de prosperidade e expansão, que serão seguidos por períodos de recessão, que serão seguidos novamente por períodos de crescimento… é a lógica dos ciclos económicos, e não é de agora, é de sempre. E contra isto só há uma forma de actuar: é aproveitando as oportunidades que as crises trazem, e transformá-las em vantagens.

Como bem escreve Vítor da Conceição Gonçalves, no artigo “Viva a Crise”, publicado na edição online do “Diário Económico” de 11 de Março:

“(…) Na " economia da depressão, " conviver com a crise é uma atitude passiva e como tal inadequada. O desafio é viver a crise. Isto é, diagnosticar e antecipar as principais ameaças e oportunidades. Sistematizar e implementar as medidas defensivas que permitam a sobrevivência num ambiente económico incerto. E sistematizar e implementar actuações de natureza ofensiva que permitam a construção de vantagens a realizar no pós-crise. (…).”

Nessa medida o “Prós e Contras” de segunda feira, muito graças aos seus intervenientes (e não obstante o esforço de FCF em tentar arrastar o debate para o lado piegas e popularucho da questão), representou uma lufada de ar fresco no panorama pró-depressivo que se instalou na generalidade da comunicação, ao convidar pessoas que procuraram de uma forma ou de outra transmitir a mensagem de que a solução terá de partir em boa parte de todos nós, e não dos outros

Já é tempo de cada um pensar naquilo que pode fazer para vencer este momento. Já é tempo de olharmos para o futuro e termos presente que os tempos de crise são igualmente tempos de oportunidade. É isto não é apenas um chavão. De facto é nestes momentos em que todos temem erguer a cabeça com receio do que ai possa vir, que quem levantar os olhos verá as oportunidades que os outros não conseguem ver.

Como dizia a canção, esta é a vantagem da ambição: podemos não chegar á lua, mas tiramos os pés do chão.