domingo, 29 de março de 2009

Para reflectir ...

E VOCÊ ANUNCIAVA AOS NAZIS O DIA D?

por Ferreira Fernandes in Diário de Notícias, 22 Fevereiro 2009


O jornal inglês The Times, na quarta-feira, tinha uma manchete sobre a guerra nas fronteiras entre o Afeganistão e o Paquistão que era uma cacha: "Base Secreta para Predators." Seguiam-se duas páginas provando que o isolado aeroporto de Shamsi, no Paquistão, serve de base para os drones, aqueles aviões americanos sem piloto. De reconhecimento mas também lançando mísseis, os drones Predators têm feito razias entre os talibãs, seja em território afegão, seja nas províncias fronteiriças paquistanesas.

Tanto o ex-presidente Pervez Musharraf como o actual, Asif Ali Zardari, têm preferido que a aliança com os americanos não seja muito visível num país de 97% de muçulmanos e pasto do radicalismo religioso. Logo, o artigo do Times foi negado pelo ministro da Defesa paquistanês. Em artigo de opinião junto à reportagem, o jornal assinalava o "duplo jogo" de Zardari. Por um lado, pressionado pelas forças dos talibãs, o Presidente paquistanês aceita que nas províncias do Noroeste, no Vale de Swat, seja implantada a lei da sharia, a forma mais violenta de fascismo muçulmano (por exemplo, as raparigas são impedidas de frequentar a escola). Por outro, Zardari aceita que um aeroporto paquistanês seja usado pelos "drones" americanos para operações militares em território paquistanês.

Ora esta ambiguidade do Governo paquistanês verifica-se também no próprio The Times. Na capa e nas páginas 6 e 7 (e no dia seguinte volta à carga com mais provas), o jornal denuncia o uso do aeroporto de Shamsi pelos drones. E, na página 2, em editorial, o jornal louva o pragmatismo do Presidente Zardari por deixar os americanos utilizar os drones no seu território. Estes ataques, diz jornal, "têm atacado casas onde os líderes da Al-Qaeda se encontram, têm morto vários comandantes e fazem pressão para que eles abandonem as zonas tribais que os protegem." O editorial acaba assim: "O extremismo deve ser derrotado, pelos drones, pelo Exército [paquistanês] e pela lei."

O jornal, no editorial, escolhe um lado - legítimo, porque contra o terrorismo (contra o qual, aliás, jovens ingleses combatem na região). Mas, mais do que o editorial, será a reportagem, também do Times, que será lida no Paquistão. E essa não ajudará o combate dos drones contra o terrorismo. Os radicais islâmicos servir-se--ão da reportagem para fragilizar quem no Paquistão combate os terroristas.

Dir-se-á: mas o sacrossanto direito à informação, um dos pilares da democracia, foi cumprido. E, sobre isso, eu pergunto: um repórter que vai numa acção militar secreta e perigosa, se a sabe de antemão, anuncia-a para quem a possa atacar? Pois é, quem tem cu sabe as limitações dos sacrossantos direitos

quinta-feira, 26 de março de 2009

Hoje até eu me vejo obrigado a reconhecer que o Sporting é realmente um clube de incompreendidos …

Esta notícia esteve em destaque na versão online do Diário Económico durante quase todo o dia de hoje (á hora em que escrevo já foi finalmente retirada), com direito a fotografia do jogador e tudo, mas … será que ainda ninguém se deu ao trabalho de explicar lá na redacção do DE que as notícias do Inimigo Público são só a fingir …?

Inimigo Público: Passe de Miguel Veloso considerado “activo tóxico” pelo BES

Na edição de hoje, o Inimigo Público diz que segundo o Semanário Económico e a mulher do Anderson Polga, o Sporting tem os passes de todos os jogadores entregues ao BES, que os poderá penhorar se o Sporting não pagar a sua dívida.O suplemento do jornal "Público" diz ainda que "o passe de jogadores conflituosos e insubordinados como Miguel Veloso e Vukcevic não podem ser detidos pelo BES, porque são mais tóxicos que a água da rede pública em Chernobyl e podem impedir o eventual acesso do BES ao aval do Estado".Segundo o jornal, "o passe de Veloso pertencia a Bernard Madoff, que, durante anos, convenceu todos os incautos que o jogador valia tanto como um Lampard, quando na realidade vale tanto como um Laborinho Lúcio para o PS".

Regra geral sou bastante crítico sobre a qualidade (ou falta dela) da novel vaga de jornalistas portugueses. Acho que basicamente são ignorantes, não tem espírito crítico, nem capacidade de análise nem de investigação, são sensacionalistas e servem apenas para transmitir recados (embora reconheça igualmente que possa haver excepções).

No entanto também por vezes dou por mim a pensar se não estarei a exagerar nas minhas apreciações, se não estarei a ser injusto na generalização... Mas então surgem situações como esta que mostram á evidência que a minha apreciação quanto muito apenas peca por defeito ...

quarta-feira, 25 de março de 2009

Este é o maior problema da Democracia: qualquer imbecil acha que tem o direito a dizer todas as enormidades que lhe passam pela cabeça ...

Por isso, e parafraseando o Rei Juan Carlos de Espanha, apenas resta dizer a esta criatura: "¿Por qué no te callas?

Le Pen reafirma que Holocausto Nazi é um "detalhe"

Jean-Marie Le Pen, líder da extrema-direita francesa disse, esta quarta-feira, no Parlamento Europeu, que o Holocausto Nazi é um "detalhe" da II Guerra Mundial.

Segundo noticia a AFP, o líder da extrema-direita considerou "que as câmaras de gás foram um detalhe da história da II Guerra Mundial".

As declarações surgem depois de socialistas e Verdes decidirem tornar público que querem alterar o regulamento interno, de forma a impedir que Le Pen presida à próxima sessão inaugural do parlamento europeu, em virtude de ser o mais velho parlamentar em funções.

No entanto, Le Pen comentou ainda que está a ser vítima de "acusações difamatórias" feitas por Martin Schulz, presidente dos socialistas europeus, que o apelidou de ser um "velho fascista" e "negacionista do Holocausto".

Recorde-se que não é a primeira vez que Le Pen coloca em causa o Holocausto Nazi. O líder da Frente Nacional já foi condenado pela lei francesa ao pagamento de uma multa de 183 mil euros.
A crise que se vive actualmente tem conduzido muitos países ao lento despertar para uma dura realidade. A Grécia não é excepção, e os acontecimentos dos últimos meses estão a conduzir a um debate sobre questões que até aqui eram dadas como indiscutíveis.
A título de exemplo fica aqui o editorial publicado na edição de 23.03.2009 do Athens Plus, um dos jornais gregos editados em lingua inglesa.

COMING BACK TO EARTH

For at least a generation, Greece has operated as if the laws of economics do not apply – not the criminally complicated, mad laws, which turned out not to apply anywhere across the global economy, but the simple, good housekeeping rules, such as living within your budget. Greeks, as individuals, were not the biggest borrowers, having got into the game late and only after entry into the eurozone made loans affordable. The problem was elsewhere: in a naive, stupid or convenient inability to understand that when we demanded things of the state someone would have to pay – and that that someone would, someday, turn out to be us. This ignorance was evident in polls, where we would see society overwhelmingly in favor of the demands and protests of specific groups (whether farmers or civil servants), when they confronted the state. Deficits went wild as governments caved in to everyone’s demands. The government’s decision to levy a one-off tax on high earners and to freeze civil servants’ salaries if these are over 1,700 euros per month, is the first sign that reality is catching up with us. Society will now feel the pain caused by our overspending as a nation. And yet the total amount expected to enter state coffers is a little less than 500 million euros – less than the amount promised to farmers a few weeks ago to get them off the roads and allow the country to function again. Perhaps the next time a group goes on the warpath, the rest of society will consider what it will cost each citizen to placate them. In that case, the government will have to weigh the cost of angering the rest of society and not just look for ways to appease the protesters so as to buy their votes. However, even as society begins to realize that for every action there is an equal and opposite reaction, various groups are still behaving as if their acts can be tolerated forever, no matter how much damage they may cause the rest of society or the economy. Banks are still depriving small and medium-sized businesses of loans, despite a 28-billion-euro rescue package; hooded youths still rampage through Athens’s center in narcissistic hysteria; Culture Ministry employees repeatedly block visitors from the Acropolis and other sites and museums. Everyone acts as if the damage they cause is not their concern: Someone else will foot the bill. Banks are banks: They will try to get away with anything that furthers their own interests. Anarchists’ raison d’etre is mayhem. But how can Culture Ministry employees and their bosses – the politicians who work out their pay and work regime – believe that their interests are served by damaging the country’s tourism industry? Whether the employees are right or not and never mind the fact that solving their problem will cost a mere 10 million euros or so, the standoff with the government is likely to cost Greece a lot more. If we consider that tourism, which brought 11.3 billion euros into the country in 2007, could drop by between 10 and 30 percent this year because of the global economic crisis, we can make a safe bet that the danger of finding important sites closed will push many people to visit other countries instead. A 10-million-euro dispute could thereby turn into a billion-euro loss. Perhaps the only way that protesters, the government and society as a whole can find a healthy balance is if we stop believing that our demands will by taken care of by divine providence – i.e. the state or the EU or both. If every demand were met by an additional tax levied on the rest of us, maybe the government, the political parties and the population would be moderate in our demands and thrifty in our spending so that we could emerge from the crisis stronger than we entered it.

terça-feira, 24 de março de 2009

Ainda sobre a Taça Carlsberg
Já tinha decidido não voltar ao tema da Taça Carlsberg, pois enquanto competição está terminada. O que interessa agora é o campeonato. No entanto confesso que começa a ser penoso (pelo menos para mim) assistir ao arraial que o Sporting continua a fazer relativamente á final de sábado passado.

Os dirigentes do Sporting resolveram adoptar uma estratégia choramingas de vitimização, como forma de fazer esquecer mais uma época perdida (é já evidente para todos que dada a tendência natural que o Sporting tem para “morrer na praia”, nem o segundo lugar no campeonato vai conseguir).

Mas começa já a ser demais que a estratégia passe por fulanizar em Lucílio Baptista todas a frustrações da época. Sejamos claros: enquanto benfiquista, não tenho simpatia nenhuma por Lucílio Baptista que já por várias vezes prejudicou o Benfica. No entanto reconheço-lhe a coragem e a frontalidade de vir a público assumir o seu erro. Pode-se dizer que não serve para nada. Talvez não. Mas num país em que a culpa morre sempre solteira, e em que sempre que são beneficiados pelos árbitros (por acção ou omissão), os treinadores, os jogadores e os dirigentes dos vários clubes (e nisso o Sporting bate todos) vem sempre dizer que nunca viram nada, que estavam a olhar para o lado, etc, haver alguém que assume publicamente o seu erro já é bastante.

Vir como agora vem Soares Franco, dizer que espera que Lucílio Baptista acabe a sua carreira por causa disso, só não é mais ridículo, porque é lamentável. Vir, como agora vem o Sporting dizer que perdeu a Taça por causa do penalty revela bem a fragilidade em que se encontram os dirigentes e técnicos responsáveis do clube face aos seus adeptos. É preciso colocar as coisas na sua devida proporção e assumir que não foi por isso que o SCP perdeu a Taça. O Sporting perdeu porque falhou 3 dos 5 penalties. O Sporting perdeu, porque a sua equipa mais uma vez falhou num momento decisivo. O Sporting perdeu porque não foi capaz de vencer. Isso é que o fez sair derrotado da competição. Mais nada.

É natural que os dirigentes do Sporting queiram agora arranjar um bode expiatório para fazer esquecer a vergonhosa prestação da equipa nos oitavos-de-final da Champions (vergonhosa para o Clube e para o país). Mas daí a querer desviar as atenções para o elo mais fraco da cadeia é demais. E isto mostra bem o tipo de dirigentes que o Sporting tem actualmente. Vir dizer, como veio Paulo Bento logo no Sábado, e ontem novamente Soares Franco “pelo menos deixem-nos ficar no segundo lugar” revela uma inadmissível pressão sobre a arbitragem até ao final do campeonato, e mostra bem quais são na realidade as verdadeiras intenções por detrás deste circo que se instalou na praça pública.

É por essas e por outras que não obstante aquilo que se pense sobre ele, Jorge Nuno Pinto da Costa é um adversário de respeito, e é por isso que qualquer adepto de futebol gostaria de o ver na Presidência do seu clube. Diga-se o que se disser do homem, nunca se verá, pelo menos enquanto ele estiver na Presidência do clube, o Porto vir chorar para a praça pública. O Porto luta até ao fim.

É essa a diferença entre os clubes que são grandes, e aqueles que acham que o são.

PS: Em tempo:

Notícia publicada hoje na edição electrónica do”Público”:

“Árbitro da final da Taça da Liga desmarca entrevista na televisão
Lucílio Baptista não esteve na TVI24 para a entrevista que estava programada para as 22 horas de terça-feira devido a ter recebido no seu local de trabalho ameaças à sua integridade física. O juiz setubalense justificou a ausência na televisão considerando não ter condições para continuar a expor-se publicamente.”

Na sequência dessa notícia foram imediatamente colocados no site do jornal algumas dezenas de comentários como habitualmente altamente inflamados e cheios de ódio, de adeptos do SCP, FCP e SLB, todos engalfinhados uns com os outros.

Os dois comentários mais inteligentes que apareceram foram, na minha opinião os seguintes:

Anónimo:
"Por aqui se vê o nível do povo português. O país de tanga, e estes gajos preocupados com a porcaria de um jogo de futebol. Temos aquilo que merecemos, com esta gente seremos SEMPRE os últimos da Europa."

Maria Sampaio, Cascais
"O Mundo á beira do colapso, pessoas com fome, milhões de pessoas em risco de perder a sua sobrevivência e neste País de "anões" discute-se o quê? Apenas e somente futebol. Já enjoa tanto fanatismo. O árbitro errou, só quem não faz nada não erra, teve a coragem de o admitir e agora é ameaçado. Neste País de cobardes mais valia ficar calado. "

Acho que ambos estão absolutamente certos. Por isso hoje foi a última vez que escrevi sobre os acontecimentos de Sábado.

segunda-feira, 23 de março de 2009

Um paraíso na Terra


No princípio de Abril eu e a Mafalda fazemos anos de casados. Por isso resolvi fazer-lhe uma surpresa e vamos passar um fim-de-semana diferente. Sem crianças, sem preocupações, apenas para aproveitar o mais que pudermos daquele que dizem ser um dos locais mais bonitos de toda a Grécia: A Ilha de Santorini.
Esperemos que o tempo esteja de acordo com tão nobres intenções ...

domingo, 22 de março de 2009

Os Simpson vitimas do Sub-prime
Esta já tem uns dias. Foi publicada na edição de 10.03.2009 no "Diário Económico" e é da autoria de Rui Barroso.
"No último episódio da 20 temporada, os Simpsons ficam sem dinheiro para pagar a casa. Uma das famílias mais populares da história da animação ficou sem casa depois de não conseguir pagar as prestações do empréstimo.Homer, Marge, Bart, Lisa e Maggie são as novas vítimas do 'subprime' nos EUA. No último episódio da 20 temporada da série de animação, a família fica sem dinheiro para pagar o crédito à habitação e acaba por perder a sua casa.Um dia depois de terem gasto parte do montante do segundo crédito à habitação numa festa de Carnaval, os Simpsons recebem uma carta a informar da revisão da hipoteca. Sem capacidade financeira para pagar o aumento nas prestações do seu crédito de taxa variável, a família tem de colocar a casa à venda.O que lhes vale é Ned Flanders, o vizinho bom samaritano e mal amado por Homer. Flanders compra o imóvel, por cem mil dólares, e arrenda-o aos Simpsons para que estes não fiquem sem tecto.Os criadores da série parodiam a crise do 'subprime', que fez com que milhões de norte-americanos incapazes de pagar os empréstimos à habitação tivessem perdido as suas casas."

... Pelo menos o montante do segundo credito á habitação foi bem investido ...