sexta-feira, 1 de maio de 2009

Grécia - Memórias de um tempo que finda ...

Hidra
Hidra foi uma das primeiras ilhas gregas que visitámos. Embora fique apenas a cerca de 1 hora de Atenas, foi das ilhas que mais gostámos, sobretudo pela sua limpeza, pelo estado de conservação dos seus edifícios e pelo facto de nela não serem autorizados a circular veículos automóveis (a não ser os carros que recolhem o lixo).

Com um porto fantástico que nos recebe logo á chegada, a ilha de Hidra tornou-se conhecida nos anos 60 por muitos famosos (como Leonard Cohen e Joan Collins) a terem escolhido para construirem casas.

Nesta ilha, onde os burros substituem os veículos, as suas mansões em pedra de estilo veneziano dispostas em torno da baia criam uma atmosfera especial que perdura todo o ano (e não apenas no Verão como acontece com a esmagadora maioria das ilhas que visitámos).

As fotos que se seguem foram tiradas (em momentos diferentes) pela minha filha, pelo meu sobrinho e por mim próprio.


































Hidra será sempre um local para lembrar com saudades ...

Manuel Alegre continua a debruçar-se profundamente sobre os reais problemas que afligem o País.
Depois do caso das fardas na Loja do Cidadão, eis de novo Alegre em grande forma:

Caso dos ovos atirados à ministra em Fafe - Manuel Alegre: Interrogatório a alunos “é um atentado ao espírito da escola pública”
O deputado do PS, Manuel Alegre, classificou esta noite de “ intolerável” o caso dos interrogatórios a alunos de uma escola de Fafe feitos por um inspector da Educação. O objectivo era apurar o eventual envolvimento de professores no protesto que incluiu o arremesso de ovos à ministra Maria de Lurdes Rodrigues, aquando da sua visita à Escola Secundária de Fafe, em Novembro. Na sua rubrica na TVI24, Palavras Assinadas, Manuel Alegre afirmou-se “estupefacto e indignado” com o caso. Apesar de a Inspecção-Geral de Educação “já ter feito uma nota dizendo que nada de anormal ocorreu”, conta o deputado, “isto não pode ficar assim”. O assunto não pode ser silenciado porque “a escola pública existe neste país democrático para formar cidadãos, não bufos nem denunciantes”.

Ou seja, insultar e atirar ovos ás pessoas faz parte da formação democrática dos cidadãos. Mas por outro lado, tentar apurar responsabilidades pelos actos praticados, faz parte do ideário do fascismo e é obviamente um regresso ao 24 de Abril ... blá-blá-blá...
Faz sentido ...

Agora que já lhe deram finalmente um espaço que lhe assegura o protagonismo por que tanto procurou, não seria tempo de Alegre começar a falar de coisas sérias?

sábado, 25 de abril de 2009

A Star is born

As aparências iludem. É um facto.


A interprete sensação neste momento chama-se Susan Boyle, e foi dada a conhecer ao mundo através de um programa da televisão inglesa chamado "Britains got talent".
Eu não sei se todos os britanicos tem talento. Mas a voz desta mulher é de facto uma dádiva.
E mostra também como tantas vezes somos enganados pelos nossos próprios preconceitos.

Para ouvir e ouvir e ouvir ...

http://www.youtube.com/watch?v=j15caPf1FRk

domingo, 12 de abril de 2009

Alegre descobriu uma nova vocação: Fashion critic ...

Medida de "cariz fascizante"

Alegre contra proibições na Loja do Cidadão de Faro

Manuel Alegre considera que a decisão de impor regras proibindo o uso de mini-saia e de decotes às funcionárias da Loja do Cidadão “é uma coisa de cariz fascizante, totalitário, contra a liberdade individual”.O deputado do PS e vice-presidente da Assembleia da República em representação deste partido considera que esta proibição não faz sentido e “é inconstitucional”, pelo que “tem que ser revogada”.Alegre insiste na revogação deste tipo de proibições, “sob pena de qualquer dia numa repartição alguém querer dizer como usar o cabelo e que livro ler”. Alertando para um clima cultural que considera estar a tomar espaço no país, Alegre frisa que “estas coisas são sinais” e “multiplicam-se estes sinais”. Por isso, “tem que ser levado a sério”. E “imediatamente revogado”.As críticas de Manuel Alegre surgem na sequência de uma ordem decretada na Loja do Cidadão de Faro, onde as funcionárias foram avisadas que não poderiam usar mini-saia, decotes exagerados, gangas e perfumes agressivos. Saltos altos e roupa interior de cor escura também foram considerados inadequados.

O que a ânsia de protagonismo não obriga ...

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Sinais do tempo

Quando pensamos que o lixo produzido para televisão não pode descer mais baixo, a Endemol vem e mostra-nos que não há impossíveis …

Novo "reality show" da Endemol põe trabalhadores em crise a despedirem colegas

08.04.2009 - Susana Almeida Ribeiro in "Diário Económico"

“Você é o elo mais fraco, adeus”. A frase, popularizada num concurso televisivo, volta a fazer sentido, desta feita num reality show. A produtora holandesa Endemol criou um programa em que são os próprios trabalhadores de uma empresa em dificuldades a decidir quem vai ser despedido. “Someone’s Gotta Go” é o nome do reality show que promete gerar polémica. O formato já foi vendido à americana Fox, que irá lançar o programa nos próximos meses. A fórmula é simples: no actual contexto de crise internacional, uma empresa em luta pela sobrevivência é convidada a entrar no programa.

Uma vez lá dentro, as câmaras irão captar a capacidade de trabalho de cada funcionário. Cada um deles irá lutar pela própria sobrevivência laboral. No final, aquele que menos produzir será despedido. A transparência fará parte do processo, uma vez que cada trabalhador vai controlar aquilo que fazem os seus colegas e vai ter acesso às suas fichas dos recursos humanos, incluindo a informação do valor do salário. Cada um deles terá igualmente que justificar os seus métodos de trabalho, junto de um grupo de discussão criado entre todos, que tomará a decisão final acerca do despedimento. Serão igualmente os trabalhadores a decidir quem é aumentado e quem irá sofrer um corte no salário, nesta espécie de “Você Decide” em versão laboral que acabou de ser apresentada em Cannes, durante a feira do audiovisual MipTV.

Espera-se que o programa estreie nos EUA no próximo Verão ou no início do Outono. A Endemol, que deu à memória colectiva êxitos televisivos como o "Big Brother", vendeu o formato à americana Fox Television e espera que o formato pegue e se reproduza internacionalmente. “Trata-se de tomar uma decisão difícil através de um processo democrático”, estimou David Goldberg, um dos directores executivos da Endemol para a América do Norte. “Normalmente essa é uma decisão autocrática, na qual o patrão determina quem é que vai para casa. É muito poderoso deixar que sejam os trabalhadores a decidir”, acrescentou. Mike Darnell, presidente da Alternative Entertainment, subsidiária da Fox, sublinhou à TvWeek o objectivo do programa: “Em vez de ser o patrão a tomar uma decisão arbitrária... são os funcionários que decidem que é que se vai embora”. Pondera-se que seja um orientador de um centro de emprego o apresentador do programa, talvez para ajudar no imediato o trabalhador caído em desgraça.

Este programa segue as pisadas de reality shows como “O Aprendiz”, no qual Donald Trump (na versão americana), fornece tarefas a uma série de candidatos que, se conseguirem ultrapassar todas as etapas, se tornarão trabalhadores do barão do imobiliário nova-iorquino.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Alfie Boe em Atenas

Para terminar em grande as celebrações do nosso aniversário de casamento (mais parece que somos ciganos pois andamos nisto há quase uma semana!) resolvi aproveitar a ocasião para realizar mais um desejo da Mafalda, e levá-la conhecer a melhor sala de espectáculos de Atenas, a Megaron / Athens Concert Hall.

Assim e aproveitando a coincidência da vinda a Atenas de Alfie Boe para um concerto no dia 7 (o dia do nosso aniversário) consegui arranjar bilhetes e fomos ver um espectáculo deste tenor britânico em que interpretou sobretudo árias famosas e canções italianas de amor….

Devo dizer que para quem goste do género (nós gostamos), foi de facto um grande concerto, a somar a outros que já tivemos oportunidade de assistir em Atenas (como os de Ennio Morricone, Plácido Domingo ou Andrea Bocelli).

Também isto nos vai deixar saudades …
Santorini, finalmente!

Regressámos novamente a Atenas depois deste fim-de-semana prolongado em que fomos até Santorini.

Confesso que para quem como eu estava bastante entusiasmado sobre o que iria encontrar na ilha, o resultado final acabou por ficar um pouco aquém das expectativas.

Tenho a noção clara que o facto de termos ido antes da Páscoa ortodoxa grega (que se inicia a 17 de Abril, uma semana após a Páscoa católica), com a maior parte do comércio ainda fechado e o facto das condições meteorológicas não terem sido as melhores terá porventura contribuído para este resultado.

Mas sinceramente acho que não foram apenas estes factores que acabaram por me criar esta sensação de um certo desapontamento. No geral esperava que Santorini estivesse á altura dos seus apregoados pergaminhos de ser um dos mais bonitos locais da Grécia. Aquilo que encontrei (pelo menos em parte) não me faz estar de acordo com essa visão.

Alguns pontos da ilha, a começar pela capital, Fira, são extremamente desorganizados, e nota-se uma falta geral de cuidado na manutenção dos edifícios, dos parques, das ruas. A limpeza deixa bastante a desejar, e as estradas estão em más condições, há entulho (resultante das obras) pelas escarpas abaixo. Sobretudo nota-se falta de cuidado em manter os espaços arranjados e cuidados.


Mas para nos abstrairmos desses aspectos e aproveitar ao máximo a estadia, o melhor é mesmo sair rapidamente de Fira e então Santorini é sem dúvida um local especial, fruto das condições geográficas que formaram o desenho actual da ilha que tem a forma de um feijão, com o vulcão no centro. Aliás este é o tema principal de Santorini, estando praticamente toda a oferta turística centrada em torno dele.

O nosso apartamento estava situado em Firastefani nas escarpas que dão para a caldeira. A vista era óptima, como se pode verificar...

Antes de mais, comecemos por onde comer, (este é sempre um aspecto a ter durante uma viagem, e nada despiciendo em qualquer roteiro turístico que se preze). Começo por recomendar a taverna Kalisti de Nektarios Kalisti em Pyrgos – talvez a melhor que já apanhei aqui na Grécia.

Embora o aspecto exterior não seja famoso, aqui podem experimentar-se vários pratos locais (a gastronomia de Santorini é famosa), como por exemplo fava (uma espécie de pasta de favas com cebola), tomatokeftedes (tomates fritos), a famosa salada de santorini, etc, todos eles extremamente bem confeccionados. Recomendo ainda o carneiro com limão. Estava uma delícia …!

Para além disso, o dono fala várias línguas (até espanholês, aquela mistura entre espanhol e português, que encontramos em tantas partes do mundo – incluindo Portugal …!), o que facilita bastante a comunicação. Boa comida, boas condições de higiene, e preços muito razoáveis. Vale mesmo a pena ir até lá e experimentar.

Em Oia estivemos também num outro restaurante ("Terpsi"), com uma vista fascinante sobre a caldeira, onde almoçámos no dia da partida. Infelizmente o tempo não estava de feição, mas pelas imagens que seguem dá para ficar com uma pequena ideia da vista que tinhamos:

Mas como o nosso objectivo era visitar a ilha e não fazer apenas um fim-de-semana gastronómico o tempo em que lá estivemos permitiu-nos visitar quase tudo o que pretendiamos(com excepção do vulcão). Duas noites (3 dias) são tempo mais do que suficiente para conhecer razoavelmente bem os pontos principais da ilha.

Santorini é uma ilha conhecida não apenas pelo seu turismo, mas também pela qualidade de alguns dos produtos agrícolas que produz como a fava ou o tomate, e sobretudo pelos seus vinhos de grande qualidade, resultantes das características únicas da ilha (para além dos fortes ventos e das condições geológicas derivadas do vulcão, não existe água potável, tendo dependido durante muitos anos apenas da água das chuvas; Hoje em dia para além de serem abastecidos de água pelo continente, também adoptaram o sistema de dessalinização da água do mar, sobretudo para efeitos de higiene e regas).

Por essa razão, as uvas produzidas localmente são mais pequenas do que o habitual e muito mais doces. Um dos vinhos mais famosos produzidos localmente é o VinSanto, um vinho doce que se bebe como digestivo. Para conhecer os aspectos relacionados com a produção de vinho em Santorini, nada como efectuar uma visita guiada a uma das diversas destilarias existentes.

Decidimos ir conhecer a SantoWines winery, ou seja a cooperativa dos produtores vinícolas de Santorini, e tendo aproveitado uma das visitas com guia, deu para aprender bastante sobre a produção de vinho na zona.





Além disso as novas instalações da cooperativa, construídas na década de 90 tem um terraço com uma vista absolutamente fantástica sobre o vulcão, que vale mesmo a pena ver e desfrutar:

Um outro local da Ilha a visitar é sem dúvida, mais a sul a Red beach. O vermelho da paisagem juntamente com o azul esverdeado do mar, formam um conjunto único.

Curiosa é também a Black beach em Perissa (uma praia de areia negra devido ao vulcão. É uma praia com características únicas. No entanto quando lá estivemos pareceu-nos que estaria a precisar de alguma manutenção e limpeza …

Nos dias em que passámos em Santorini, percorremos toda a ilha de uma ponta a outra (o que não é difícil pois não é muito grande), e visitámos outras zonas. Mas de toda a ilha, a parte que mais gostámos foi sem dúvida Oia. Não obstante muitos estabelecimentos comerciais estarem ainda encerrados foi ai que encontrámos a imagem de Santorini que todos nós temos presente no nosso imaginário.

Na zona do castelo em Oia é frequente juntarem-se grupos de turistas para ver o por do sol. Quando lá estivemos o tempo não estava ainda totalmente aberto e o melhor que conseguimos foi isto:

No entanto os especialistas na matéria dizem que na época alta é absolutamente espectacular. Fica aqui uma outra foto (mas não tirada por mim) para ilustrar o que se pode encontrar sobretudo no Verão

No entanto sem querer ser demasiado nacionalista, também acho que em Portugal temos pôr-do-sol fabulosos, que não ficam muito atrás destes …

Após a nossa visita, (em que andamos desalmadamente a subir e a descer degraus!) nada como parar um pouco para repousar. Assim fizemos e decidimos descansar num pequeno bar/restaurante chamado "Lotza"

Em boa hora o fizemos pois enquanto saboreávamos uma bebida e fazíamos tempo para o jantar, pudemos desfrutar de uma vista soberba sobre o mar, e de um cheiro delicioso a pasta com alho e azeite a ser cozinhada …

Oia é de longe a localidade mais bonita da Ilha, não me canso de repetir. Como ambos estávamos de acordo também nesse ponto, e como no domingo o estado do tempo não nos permitiu ir visitar o vulcão, decidimos então ir novamente a Oia para conhecermos a vila um pouco mais em detalhe. Dessa segunda vez, por ser mais cedo e não obstante o estado do tempo, deu para percorrer com algum vagar as ruas estreitas do castelo, com as suas pequenas lojas de comércio tradicional e de artesanato.

Quando nos preparámos para ir para o aeroporto começou a chover imenso e um manto espesso de nevoeiro caiu sobre a ilha, de tal forma que não viamos mais de 5 m de distância. A viagem de regresso até ao aeroporto foi uma aventura, … que aliás se prolongou depois no voo de regresso tal foi a turbulência que apanhámos, tendo as hospedeiras de bordo passado todo o voo sentadas com os cintos de segurança.

Mas o que são viagens sem aventuras deste tipo? O que é mais importante é que pesando todos os prós e contras, foi uma viagem que valeu mesmo a pena. E gostávamos de a repetir levando os nossos filhos, mas desta vez no Verão…

Antes de terminar, e para quem estiver a pensar em viajar até lá aqui ficam alguns conselhos:

1. Vá com bom tempo (por exemplo a partir de fins de Maio). Com chuva ou com o tempo encoberto (como apanhámos, sobretudo no último dia) não é possível ver na sua plenitude aquilo que dizem ser o azul único do mar de Santorini ou o fantástico pôr-do-sol em Oia. Além disso tínhamos planeado ir no domingo conhecer o vulcão, o que acabámos por cancelar devido á chuva.

2. As estradas e os caminhos (como é hábito) não são grande coisa. Por isso e caso tenha oportunidade faça como nós e alugue um jeep (bem na verdade não alugámos propriamente um jeep, alugámos um Suzuki Jimmy que era o que havia, e aqui entre nós, chamar um Jimmy de Jeep, é a mesma coisa que dizer que uma lagartixa é uma espécie de jacaré, mas mais pequenina …)

3. Procure ficar em Oia – que é claramente a parte mais bonita da ilha. Nós ficámos em Firostefani junto á capital, Fira, e esse foi certamente um dos aspectos que contribuiu para o tal desapontamento. Talvez não tenhamos tido oportunidade de conhecer mais em detalhe a localidade; no entanto o que vimos não deixou grandes saudades

4. Tenha em conta que os apartamentos localizados nas escarpas são muito bonitos, e nalguns casos permitem imagens de cortar a respiração …

… No entanto acredite também que subir e descer dezenas e dezenas de degraus várias vezes por dia acaba por deixar mazelas …

5. Julho e Agosto são claramente meses a evitar. Pelo que podemos ver, a ilha não parece ter condições e infra-estruturas para aguentar com qualidade a pressão turística desses meses. Para além disso os preços nessa época são absolutamente proibitivos.

Se tiver em conta estes conselhos, certamente irá gostar de Santorini. As pessoas são muito simpáticas (como são em geral em toda a Grécia), a paisagem é deslumbrante a gastronomia é fantástica, e o ambiente é único.

E como diz o meu amigo Ramon (também um pouco céptico em relação a esta Ilha), não se pode estar na Grécia sem se conhecer Santorini.